O mistério da mistura

O mistério da mistura

TEMOS VISTO – através de multidão de exemplos – que uma mistura do paganismo e do cristianismo produziu a Igreja Católica Romana. Os pagãos adoravam e rezavam para uma deusa mãe, assim a igreja caída adotou a maternidade sob o nome de Maria. Os pagãos tinham deuses e deusas associados com vários dias, ocupações, e acontecimentos da vida. Este sistema foi adotado e os “deuses” foram chamados de “santos”. Os pagãos usavam estátuas de ídolos de suas divindades pagãs em seus cultos, assim também a igreja caída o fez, simplesmente chamando-se por nomes diferentes. Desde tempos antigos, cruzes de vários formatos eram olhadas de maneira supersticiosa. Algumas dessas idéias foram adotadas e associadas com a cruz de Cristo. A cruz, como uma imagem era muito honrada em toda a parte, mas o verdadeiro sacrifício “consumado” da cruz tornou-se obscurecido pelos rituais da Missa com sua transubstanciação, drama/mistério, e rezas pelos mortos!

Orações repetidas, rosários, e relíquias foram todos adotados do paganismo e dados uma aparência superficial de cristianismo. O ofício pagão e título de Pontífice Máximo foi aplicado ao bispo de Roma. Ele se tornou conhecido como o papa, o pai dos pais, muito embora Jesus tivesse dito que nenhum homem se chamasse pai!  Literalmente em centenas de maneiras, os rituais pagãos foram absorvidos pelo cristianismo em Roma.

Eruditos católicos reconhecem que sua igreja surgiu de uma mistura de paganismo com cristianismo. Mas, do seu ponto de vista, estas coisas foram triunfos do cristianismo, porque a igreja teve a capacidade de cristianizar práticas pagãs. A Enciclopédia Católica faz estas afirmações: “Não precisamos esconder que velas, incenso e água benta, eram comumente empregados na adoração pagã e nos rituais prestados aos mortos. Mas a Igreja desde um período muito antigo tomou-os a seu serviço, assim como adotou muitas outras coisas… como música; luzes, perfumes, abluções, decorações, canópias, abanos, telas, sinos, paramentos, etc., que não eram identificados com qualquer culto idólatra em particular; eles eram comuns a quase todos os cultos.” Água, óleo, luz, incenso, cânticos, procissões, prostração, decoração de altares, paramentos (vestimentas dos) sacerdotes, estão naturalmente a serviço do universal instinto religioso… Até mesmo festas pagãs podem ser “batizadas”: certamente nossas procissões de 25 de abril são a Robigalia; os dias de Rogos podem substituir a Ambarualia; a data do Dia de Natal pode ser devida ao mesmo instinto que colocou em 25 de Dezembro os Natalis Invicti do culto solar.

O uso de estátuas, e costumes tais como inclinar-se diante de uma imagem, é explicado na teologia católica como tendo se desenvolvido partindo do antigo culto do imperador! “A etiqueta da corte bizantina gradualmente evoluiu para elaboradas formas de respeito, não somente pela pessoa do César, mas até mesmo por suas estátuas e símbolos”. Filostórgio… diz que no quarto século os cidadãos cristãos romanos no Oriente ofereciam presentes, incenso e até mesmo rezas às estátuas do imperador (Hist. Eccl. II, 17). Seria natural que as pessoas se inclinassem diante, beijassem e incensassem as águas imperiais e as imagens de César (com nenhuma suspeita de algo a não ser idolatria)… prestassem os mesmos sinais à cruz, às imagens de Cristo, e ao altar… Os primeiros cristãos estavam acostumados a ver estátuas de imperadores, de deuses pagãos e heróis, como também pinturas de paredes pagãs. “Então fizeram pinturas de sua religião, e, assim que puderam consegui-las, estátuas do seu Senhor e seus heróis.” Deveria observar-se que nenhuma afirmativa de ordenança escriturística é pelo menos sugerida para tais coisas. Está muito claro que estes costumes desenvolveram-se do paganismo.

Algumas vezes várias pinturas de paredes dos primeiros séculos, tais como aquelas nas catacumbas romanas, são referidas como que representativas dos cristãos originais. Não cremos que isto seja verdade, pois existe clara evidência de uma mistura. Enquanto estas pinturas incluíam cenas de Cristo alimentando as multidões com os pães e os peixes, Jonas e a baleia, ou o sacrifício de Isaque, outras pinturas eram sem qualquer dúvida retratos pagãos. Alguns acham que esta “mistura” foi um artifício usado para evitar a perseguição, mas, não obstante, não se pode negar que as raízes da mistura estavam presentes. Diz a Enciclopédia Católica: “O Bom Pastor carregando a ovelha em seus ombros ocorre frequentemente, e esta preferência pode muito bem ser devida à sua semelhança com as figuras pagãs de Hermes Krióforo ou Aristeu, que neste período estavam muitos em voga… Até mesmo a fábula de Orfeu foi tomada emprestada pictorialmente e atribuída a Cristo. Semelhantemente a história de Eros e Psiquê foi revivida e cristianizada, servindo para relembrar ao crente a ressurreição do corpo… O grupo dos Doze Apóstolos provavelmente atraia menos atenção por causa dos doze Dii Majores (Deuses Maiores) que eram frequentemente agrupados. Outra vez a figura dos Orans (q.v.), a mulher com os braços levantados em oração, era muito familiar para a antiguidade clássica… semelhantemente o símbolo do peixe, representando Cristo, a âncora da esperança, a palma da vitória, eram todos suficientemente familiares, como símbolos entre os pagãos para despertar qualquer atenção em particular.”

No Velho Testamento, a apostasia na qual os israelitas repetidamente caíam era a da mistura. Usualmente eles não rejeitavam totalmente a adoração do verdadeiro Deus, mas misturavam os rituais com ela!  Foi este o caso mesmo quando eles adoraram o bezerro de ouro (Êxodo 32). Todos entendemos que tal culto era falso, e este é o ponto que desejamos enfatizar – foi reclamado que era uma “festa para o Senhor (versículo 5) – uma festa para Jeová (ou mais corretamente) Iavé, o verdadeiro Deus! Eles se sentaram para comer e beber e se levantaram para folgar. Eles praticaram rituais nos quais se despiram (versículo 25), talvez semelhantes aos que eram realizados por sacerdotes babilônicos despidos.

Durante os quarenta anos no deserto, os israelitas levaram o tabernáculo de Deus. Contudo, alguns deles não estavam contentes com isto, assim sendo, eles acrescentaram alguma coisa. Eles fizeram para si mesmos um tabernáculo babilônico que também era carregado! “Antes levastes a tenda de vosso Moloque, e o altar das vossas imagens” (Amós 5: 26; Atos 7: 42,43). Estes não eram senão outros nomes para o deus-sol Baal e a deusa-mãe Astarte. Por causa desta mistura, suas canções de adoração, sacrifícios, e oferendas foram rejeitadas por Deus.

Em outro período, os israelitas realizaram rituais secretos, edificaram altos, usaram adivinhações, fizeram seus filhos passarem pelo fogo, e adoraram o sol, a luz, e as estrelas (II Reis 17: 9-17). Como resultado, eles foram levados de sua terra. O rei da Assíria trouxe homens de várias nações, incluindo a Babilônia, para habitar na terra de onde os israelitas foram tirados. Estes também praticaram rituais pagãos e Deus enviou leões entre eles. Reconhecendo isto como julgamento de Deus, eles mandaram buscar um homem de Deus para ensiná-los como temer ao Senhor. “Cada nação fez deuses seus próprios” (versículos 29-31), tentando adorar esses deuses e ao Senhor também, e fizeram para si mesmas dos mais baixos deles, sacerdotes… eles temiam ao Senhor e serviam seus próprios deuses” (versículo 32).

A mistura também estava aparente nos dias dos juízes quando um sacerdote levita que reclamava falar a palavra do Senhor serviu em uma “casa de deuses” e foi chamado pelo título de “pai” (Juízes 17: 3,13; 18: 6). No templo de Ezequiel um ídolo tinha sido colocado bem à entrada do templo de Jerusalém. Os sacerdotes ofereciam incenso a falsos deuses que eram pintados nas paredes. Mulheres choravam por Tamuz e homens adoravam o Sol ao alvorecer na área do templo (Ezequiel 8). Alguns até mesmo sacrificavam seus filhos e “havendo sacrificado seus filhos aos seus ídolos, vinham ao meu santuário no meu dia, disse Deus” (Ezequiel 23: 38,39). A mensagem de Jeremias foi dirigida às pessoas que diziam “adorar ao Senhor” (Jr 7:2), mas que haviam misturado isto com os ritos paganísticos. “Eis que, disse Deus, confiais em palavras falsas que para nada são proveitosas. Queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses… para fazerem bolos à rainha dos céus… e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa” (versículos 8-18).

Considerando estes numerosos exemplos bíblicos, está claro que Deus não está contente com uma adoração que é uma mistura. Como Samuel pregou: “Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós, os deuses estranhos e os astarotes e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará” (I Samuel 7: 3).

Deveríamos lembrar-nos que Satanás não aparece como um monstro com chifres, um longo rabo, e um garfo. Em vez disto, ele aparece como um anjo de luz (II Cor. 11: 14). Como Jesus advertiu a respeito de “lobos com peles de ovelhas” (Mateus 7:15), Assim em numerosas ocasiões o paganismo foi camuflado pelas roupagens externas do cristianismo e tornou-se uma mistura que tem enganado a milhões. Foi como remover o sinal de alerta de uma garrafa de veneno e colocar em seu lugar uma etiqueta de uma guloseima. O conteúdo continua tão mortífero como antes. Não importa quanto o vistamos no exterior, o paganismo é mortífero. A verdadeira adoração deve ser “em espírito e em verdade” (João 4: 24). – não em erro pagão.

Por causa das maneiras habilidosas como o paganismo foi misturado com o cristianismo, foi escondida a influência babilônica – um mistério – “mistério Babilônia”. Mas, como um detetive guarda pistas e fatos a fim de resolver um mistério, assim também nestas poucas linhas tenho apresentado muitas pistas bíblicas e históricas como evidências. Algumas destas pistas poderão ter parecido insignificantes à primeira vista ou quando tomadas isoladamente. Mas, quando o quadro completo é visto, elas se juntam e de maneira conclusiva resolvem o mistério da Babilônia – a antiga e a moderna! Através dos séculos Deus tem chamado seu povo para fora do cativeiro da Babilônia. Ainda hoje sua voz está dizendo “Sai dela, povo meu, para não serdes participantes dos seus pecados” Apoc. 18: 4).

É uma tarefa delicada escrever a respeito de assuntos religiosos a respeito dos quais pessoas excelentes e sinceras tem fortes diferenças. A pessoa, para provar algo, tem que falar bastante francamente e também para manter um equilíbrio apropriado, de modo que ao discordar não seja desnecessariamente desagradável. Como com qualquer livro – certamente não excluindo a Bíblia – é inevitável que alguns mal entendidos ou diferenças de opiniões venham a resultar. Alguns poderão achar que coisas demasiadas foram ditas outros que não foi o bastante.

Acreditamos que o verdadeiro alvo do cristão não é ter uma religião baseada em mistura, mas retornar à fé original, simples, poderosa e espiritual que uma vez foi entregue aos santos. Não mais nos enredando em uma parafernália de rituais ou tradições, podemos encontrar “a simplicidade que está em Cristo”, regozijando-nos na “liberdade com que Cristo nos libertou” da “escravidão” (II Cor. 11: 3; Gál. 5: 1).

A salvação não depende de um sacerdote humano, de Maria dos santos ou do papa. Jesus disse, “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14: 6). “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4: 12).

Olhemos o Sumo Sacerdote de nossa confissão, o Cordeiro de Deus, o Pão do Céu, a Água da Vida, o Bom Pastor, o Príncipe da Paz, o Rei dos Reis e Senhor dos senhores!

Por Ralph Woodrow